segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Seguro pode cobrir prejuízos de cacauicultores em períodos de estiagem

Fazendas de cacau no Sul da Bahia passaram a contar com um instrumento inédito de proteção a eventuais prejuízos causados por alterações climáticas. Uma parceria entre o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), seguradora Newe Seguros, a Wiz Corporate Partners, o Instituto Arapyaú, Dengo Chocolates e ZCO2/BlockC deu origem à primeira emissão de apólice de seguro rural paramétrico para a cacauicultura no país, que tem como objetivo minimizar os impactos climáticos na lavoura ao longo da safra. Neste caso, não é necessário que um evento climático gere um dano físico à fazenda para que o segurado tenha direito ao pagamento, como funcionaria numa apólice convencional. O produtor segurado poderá ser ressarcido em caso de volume de chuvas abaixo daquele previamente estabelecido – o que poderia prejudicar a colheita de amêndoas ali produzidas e, por consequência, a comercialização do produto. Para construir essa ferramenta, as empresas envolvidas na iniciativa se valeram de dados gerados por estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura. Além de informações sobre o volume de chuvas, essas estações fornecem dados de intensidade de vento, temperatura, número de dias de sol, ocorrências de geada, granizo e inundações. O Instituto Arapyaú, por sua vez, auxiliou na definição dos parâmetros de impacto climático na produção, bem como na inserção de contrapartidas ambientais na apólice, relativas à preservação da Mata Atlântica. O seguro paramétrico incorpora indicadores de sustentabilidade para financiar o pagamento do prêmio do seguro com créditos de carbono – de modo que os cacauicultores tenham um incentivo pra a conservação da floresta. Ricardo Gomes, gerente do programa Desenvolvimento Territorial do Sul da Bahia, do Arapyaú, explica que, para o seguro atingir mais produtores, é preciso que haja ampla divulgação da iniciativa para estimular mais empresas a realizarem a compensação de suas emissões de carbono por meio do projeto. “Entendo que a iniciativa oportuniza conciliar a conservação e valoração do nosso ativo florestal, considerando que o carbono estocado é que financia o seguro para os produtores, e por sua vez as empresas neutralizam suas emissões de CO2”, destaca. Ricardo informa como o mecanismo contribui para mitigar impactos negativos na renda do produtor: “É uma alternativa para oferecer, minimamente, uma garantia caso a chuva não corresponda em um período-chave para produtividade do cacau, sendo um complemento de renda para o produtor e um reconhecimento do valor da cabruca como meio de produção sustentável”, afirma. O seguro vai cobrir perdas ocorridas entre agosto e setembro – um dos períodos decisivos para a produtividade do cacau cultivado na região. Entre 2014 e 2016, uma seca severa acabou com a produção de 50 mil hectares de cacau da região nessa época. Empresas interessadas em adquirir créditos de carbono por meio do projeto, podem entrar em contato com o Instituto Arapyaú no e-mail comunicacao@arapyau.org.br.

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