sábado, 20 de junho de 2020

Carta é enviada a embaixadas com pedido para que Weintraub não seja eleito no Banco Mundial Eliane Oliveira



O Globo - BRASÍLIA - Um dia depois de o governo anunciar sua ida para o Banco Mundial (Bird), Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, já começa a enfrentar resistências de representantes da sociedade civil. Uma carta com quase 300 assinaturas foi enviada, nesta sexta-feira, às embaixadas de países que integram o grupo do Brasil, na instituição. O documento faz um apelo para que Weintraub não seja eleito diretor-executivo do Bird, sob o argumento de que sua gestão no ministério foi "destrutiva e venenosa" e que ele é não tem competência e condições técnicas de assumir essa função.
A correspondência foi endereçada aos embaixadores da Colômbia, da República Dominicana, do Equador, do Haiti, do Panamá, das Filipinas, do Suriname e de Trinidade & Tobago. Junto com o Brasil, esses nove países têm votos suficientes para eleger o ex-ministro da Educação para o cargo - que já foi ocupado pelo ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan; os secretários de assuntos internacionais do Ministério da Economia, Marcos Caramuru e Otaviano Canuto; o ex-secretário do Tesouro Nacional, Murilo Portugal, entre outras personalidades.
Na carta, os signatários afirmam ter recebido com perplexidade a notícia. Desaconselham "fortemente" a indicação e destacam que a demissão do ex-ministro é resultado de um ambiente "destrutivo e venenoso que ele inflou em todo o sistema político do Brasil". Segundo o documento, desde que assumiu o cargo, Weintraub sempre respondeu com "desprezo, sarcasmo e agressividade a críticas ou mesmo recomendações de cidadãos comuns, jornalistas, legisladores e até juízes da Suprema Corte".
"Devido ao seu comportamento odioso e desempenho medíocre como ministro da Educação, houve pedidos quase unânimes de sua renúncia em todos os segmentos da sociedade brasileira", diz um trecho da carta.
Assinada por institutos e organizações governamentais ligadas a várias áreas, como direitos humanos, urbanismo e defesa do consumidor, a carta também tem como signatários artistas, economistas, escritores, antropólogos e historiadores. São exemplos o ex-presidente do BNDES, Pio Borges; os economistas Laura Carvalho e José Roberto Afonso; o cantor e escritor Chico Buarque, a cantora Olívia Byington; o ator Paulo Betti; a ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero.
- Weintraub pode comprometer os interesses do Brasil no banco. Uma pessoa que define a si próprio como um homem da militância, não pode tratar com isenção um pedido do governador do Maranhão (Flavio Dino, do PC do B), por exemplo. Não tem cabimento botar num posto que é eminentemente técnico alguém que é militante de extrema direita - disse Ricupero ao GLOBO.
O documento enumera uma série de fatores como argumento de que Weintraub é a "antítese" de tudo o que o Banco Mundial procura representar na política de desenvolvimento e no multilateralismo: ideologia baseada em evidências, fracas habilidades de gerenciamento, falta de capacidade de ligar com injustiças sociais e econômicas por meio de políticas públicas, desrespeito aos valores do multilateralismo e conduta incompatível com os padrões de integridade ética e profissional.
Procurado, o Ministério da Educação informou que a pasta e o próprio Weintraub não vão se manifestar.

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