terça-feira, 21 de abril de 2020



Maqueiro de UPA morto por Covid-19 demorou mais de 24 horas para ser transferido para hospital
Extra - Cláudio Maurício Santana, de 59 anos, é mais um profissional de saúde vítima da Covid-19 no Rio. O maqueiro da UPA do Engenho Novo, na Zona Norte, morreu na última sexta-feira, dia 17, depois de ficar oito dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). De acordo com uma amiga próxima que não quis se identificar, o funcionário não possuía doenças preexistentes e estava afastado do trabalho desde 7 de abril.
— Ele faleceu ontem às 10h50 da manhã no hospital Zilda Arns, em Volta Redonda, para onde foi transferido no dia 10. Cláudio começou a demonstrar os primeiros sintomas do coronavírus no último plantão que deu, na terça-feira, dia 7. Ele foi colocado em quarentena por um médico da própria UPA, mas na quinta-feira daquela mesma semana retornou com sintomas mais graves da doença. Foram mais de 24 horas de espera por uma transferência para um hospital, pois não tinhámos como tratá-lo na UPA. A unidade não tem suporte para atender um paciente no estado que ele se encontrava — explica a amiga e técnica de enfermagem da UPA.
Embora tenha tido contato com Cláudio, que recebeu o resultado positivo para Covid-19 na última terça-feira, dia 14, ela e outros funcionários não foram afastados de suas funções. Sua última conversa com o amigo foi por videochamada, quando ele já estava em Volta Redonda.
— No sábado passado ele me ligou pela manhã por vídeo. Disse que estava cansado e preocupado, mas que seguia confiante da recuperação. Ele também me contou que se sentia um pouco melhor do que na sexta-feira, quando foi transferido. Ele pediu orações e, depois disso, não nos falamos mais. Foi a nossa despedida — relata ela.
No domingo de Páscoa, Claudio, também chamado de Baratinha pelos mais próximos, precisou ser entubado e sedado. A falta de informações sobre seu estado de saúde levaram a amiga a ir até Volta Redonda, porém, ao chegar no hospital, ela conta que não conseguiu informações claras sobre o amigo.

— No domingo não conseguimos notícioas dele, então na segunda-feira de manhã fui até lá. O boletim que me deram ao chegar lá foi muito superficial e nenhum médico desceu para conversar comigo — reclama ela, que afirma que Claudio chegou a ser tratado com cloroquina.

Na sexta-feira, Cláudio foi homenageado com palmas dos seus colegas da UPA do Engenho Novo, onde trabalhava há dez anos. Claudio, que deixa um filho adulto, será enterrado na tarde deste sábado em uma cerimônia restrita.

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