terça-feira, 31 de março de 2020

Sikêra cita mentira de internet em entrevista e Bolsonaro diz “ter conhecimento desse fato e de outros”



Apresentador Sikêra Jr. citou uma notícia falsa durante entrevista com Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução/Rede TV)
João Conrado Kneipp Yahoo Notícias -- O apresentador Sikêra Jr., do programa Alerta Nacional, da emissora Rede TV, citou uma fakenews durante uma entrevista com presidente Jair Bolsonaro, no início da noite desta segunda-feira (30). Na resposta, Bolsonaro endossa a notícia sem comprovação dizendo “ter conhecimento desse fato e de outros” e questionou a veracidade dos números das mortes pelo novo coronavírus.
Em uma pergunta sobre a contabilização das mortes em decorrência da pandemia, o jornalista informou como caso verídico a notícia falsa de que um borracheiro teria morrido com a explosão de um pneu e que sua certidão de óbito foi emitida como vítima da Covid-19.
“Já começa a aparecer algumas mortes por outras causas e estão colocando na conta do coronavírus. Eu vou dar um exemplo que aconteceu no final de semana em Pernambuco, vamos conferir se procede. Um borracheiro, consertando, trocando um pneu, estourou no rosto dele a calota, e no atestado de óbito dele colocaram como coronavírus. O senhor tem conhecimento disso? Se realmente estão colocando na conta do vírus?”, perguntou Sikêra.Bolsonaro, ao responder, afirmou ter “conhecimento desse fato específico” e voltou a questionar dados passados pelas secretarias estaduais de Saúde.
“É, temos conhecimento desse fato específico que você falou, bem como de outros. Parece que há interesse de alguns governadores de inflar o número dos óbitos vitimados do vírus. Daria mais respaldo para ele para talvez mais recursos ao governo federal, para justificar as medidas que tomaram. Para dizer: ó, se não tivesse tomado essa medida no meu estado a crise seria mais grave, mais gente teria morrido”, afirmou Bolsonaro.

A FAKE NEWS
A fakenews citada por Sikêra circulou nas redes sociais neste final de semana e precisou ser desmentida pela própria Secretaria de Saúde do Pernambuco.
A corrente falsa trazia o texto “gente, o primo do porteiro do meu prédio morreu porque foi trocar o pneu do caminhão e o pneu estourou no rosto dele. Receberam o atestado de óbito como se fosse covid 19. Eles estão indignados”.
A mensagem variava entre caminhoneiro e borracheiro, e era acompanhada de uma imagem de uma certidão de óbito.


A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco esclareceu, nesta segunda-feira (30), que a certidão de óbito do homem, de 57 anos, que circulou é verídica. No entanto, alega que a vítima que teve o nome divulgado não faleceu nem por acidente de trabalho e nem pelo novo coronavírus.
“Apesar de ser um documento verídico, o falecimento não foi provocado pelo novo coronavírus. Após análises laboratoriais, foi detectada nas amostras do paciente a presença do vírus da influenza A, que provoca quadro clínico semelhante ao da Covid-19. É importante esclarecer que a emissão da declaração de óbito é um ato médico, que tem por obrigação legal constatar e atestar a morte. Mas, para haver a confirmação da causa da morte pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), que pode ser provocada por vírus (influenza, Covid-19) ou bactérias, é necessário que haja coleta de material para análise em laboratório, como recomenda o Ministério da Saúde”, disse a secretaria.

Confira aqui a nota da pasta pernambucana.

USO POLÍTICO
Na sexta-feira, Bolsonaro questionou a veracidade dos números das mortes divulgadas e citou a possibilidade de os estados brasileiros estarem fraudando a causa dos óbitos para fazer "uso político" da questão. As declarações ocorreram em entrevista por telefone ao jornalista José Luiz Datena, do Brasil Urgente, da Band.
Ele citou diretamente o exemplo do Estado de São Paulo, do governador João Doria (PSDB), seu desafeto - que tem o maior número de casos confirmados e mortos pelo novo coronavírus. “Não tô acreditando nesses números de São Paulo”, declarou.

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