terça-feira, 24 de março de 2020

Bolsonaro aposta no caos, por Davidson Magalhães



por Davidson Magalhães - O Brasil vive uma crise econômica profunda. O avanço da pandemia do novo coronavírus trouxe consigo uma instabilidade em escala global, com as quedas dos mercados financeiros e um brutal freio no crescimento. As medidas de contenção no País, especialmente se for da envergadura das aplicadas nos últimos dias no mundo, implicam um curto-circuito na economia durante um tempo que não se sabe quanto. É o lógico preço a pagar: a saúde é a prioridade.
Isto tudo se agrava com a realidade brasileira, navegando em crise anterior ao surgimento do Covid-19. Senão, vejamos. O PIB do País em 2019 foi de 1,1%. A taxa de trabalhadores sem carteira ficou em 41,1%. Mais da metade, em 11 estados, estão no mercado da informalidade.
O desemprego segue em alta, atinge 13 milhões de pessoas. A precarização trabalhista desde Temer a Bolsonaro, intensifica ainda mais a retração do consumo das famílias no Brasil. A extrema pobreza aumentou 47% entre 2014 e 2018 – terminamos 2018 com 13,5 milhões de brasileiros nessas condições.
Reza a cartilha, a economia só se movimenta se você tiver investimentos. A crise do coronavírus pega o Brasil exatamente nesta fase de ausência de políticas públicas há três anos. E o mercado externo, que poderia ser um alívio, uma saída, vive agora uma de suas piores instabilidades da história.
Os principais mercados para onde o Brasil exporta estão praticamente fechados, como a Argentina, principal destino de manufaturados. A China, nosso maior mercado de exportação, está em trauma econômico. Na Itália e Espanha as pessoas não saem mais às ruas.
As bolsas de valores acumulam quedas superiores a 20%. Dados divulgados pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) apontam uma possível perda de US$ 2 trilhões para a economia global este ano.
O combate à pandemia depende basicamente de ações urgentes e corretas, do ponto de vista médico e governamental. Entre essas medidas, o isolamento social, a não aglomeração para evitar o contágio acelerado e o consequente colapso do sistema hospitalar no Brasil, como aconteceu na Itália.
Pois bem, diante de toda esta tragédia, o que nós vemos no Brasil, num momento em que é necessário, sobretudo, a orientação, a estabilidade política, a decisão de governo? Vemos um presidente à moda biruta de aeroporto, negando evidências médicas e estimulando aglomerações, quando a OMS já recomendou sua proibição.
Assistimos estupefatos ao presidente estimulando, e o movimento da extrema-direita brasileira convocando, uma manifestação contra as instituições democráticas, o Congresso Nacional e o STF.

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