quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Adolescente é atropelada por viatura da PM em baile funk em SP

Evellyn e os ferimentos causados ao ser arrastada da viatura
 | Foto: Maria Teresa Cruz/Ponte Jornalismo

Por Maria Teresa Cruz - Ponte Jornalismo  - Tem sido difícil para a estudante Evellyn Souza de Jesus Silva, 17 anos, caminhar pelas ladeiras da Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, e em alguns trechos com asfalto irregular. Desde a madrugada do domingo (5/1), ela anda mancando. Na altura dos joelhos, há duas feridas. “Essa aqui quase que chega no osso”, diz à Ponte apontando para uma delas, a da perna esquerda, em frente ao Terminal Tiradentes nesta segunda-feira (6/1).
Evellyn foi atropelada e arrastada por uma viatura da Força Tática da PM quando estava com os amigos curtindo o Baile das Casinhas por volta das 2h30 na esquina da Rua Moises de Corena com a Apóstolo Felipe, um dos pontos de concentração do Baile das Casinhas. “Eu vi minha morte ali”, conta. Segundo ela, a polícia já havia feito uma ação de dispersão alguns minutos antes, uma quadra abaixo, na Rua Apóstolo Bartolomeu, usando bombas e spray de pimenta.
“Eu e meus amigos conseguimos correr pra um bar que estava aberto e o dono baixou a porta. A gente foi para a rua de cima e estava rolando baile ainda. Quando a gente estava na esquina, vimos um carro preto vindo e logo depois a viatura. Foi tudo muito rápido, quando a gente foi tentar entender o que estava acontecendo, a viatura estava em cima de mim”, conta. “A minha sorte foi que um menino me puxou, senão eu estava morta. Foi um anjo e o pior que foi tudo tão rápido que eu nem sei quem foi. Se eu soubesse gostaria de agradecê-lo”.
No domingo, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de SP) enviou uma nota à reportagem informando que uma pessoa havia morrido e outra tinha sido baleada em uma suposta perseguição que terminou em um baile funk. “Quatro pessoas estavam no carro quando avistaram policiais em patrulhamento de rotina e tentaram fugir onde ocorria um baile funk. Na fuga, atropelaram algumas pessoas e bateram em um poste”, diz trecho da nota. A morte aconteceu em uma viela da rua
O Baile das Casinhas acontece às sextas-feiras e sábados, a concentração começa por volta da meia-noite e segue ao longo da madrugada. “É grande, sim. Quase com a mesma fama do DZ7”, diz a garota, em referência ao baile funk de Paraisópolis, onde 9 pessoas foram mortas em 1º de dezembro do ano passado durante uma ação policial que, segundo a versão oficial, também foi provocada por uma perseguição.
Em reportagem publicada pela Ponte em dezembro, o promotor Hidejalma Muccio mencionou que, mesmo que a perseguição de Paraisópolis seja verídica, isso não isenta os PMs. “Pouco importa saber se houve perseguição ou não houve, saber se a perseguição era legítima ou não era legítima. Jamais a polícia poderia entrar naquele local, com aquela quantidade de gente, colocando em risco a vida daquelas pessoas, com a justificativa de prender criminosos”, disse, à época, o promotor.Trecho da
Situação parecia aconteceu em Cidade Tiradentes. Evellyn afirma que, no momento em que a viatura passou perseguindo um carro, havia grande aglomeração. “Tinha muita gente no meio da rua quando a viatura veio em alta velocidade perseguindo o carro preto roubado. Não dava para passar ali daquele jeito”, avalia a vítima.
Ela também ficou impressionada com a truculência da polícia, mesmo antes de ser atropelada. “É bem comum a PM vir, soltar uma bomba, dar uma dispersada. Mas dessa vez foi demais”, explica. Em vídeo gravado por ela mesma, minutos antes de ser atropelada, jovens correm procurando se proteger de uma dessas investidas da PM ocorridas naquela madrugada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Arquivo do blog