quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Recessão reforça ciclo de desigualdade


O Brasil tem um longo histórico de desigualdade de renda, mas havia entre a maior parte dos economistas, até 2014, um entendimento de que esse cenário iria melhorar e a desigualdade cairia continuamente, diz o superintendente do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques. "O sinal de alerta veio quando essa tendência foi revertida."
Desde a crise, a parte mais rica dos brasileiros se distancia cada vez mais da parcela mais pobre. No começo deste ano, a renda da metade mais pobre caiu cerca de 18%, enquanto o 1% mais rico teve quase 10% de alta no poder de compra, de acordo com dados do IBGE.
Para mudar isso, Henriques afirma que é preciso ter uma agenda que enfrente de forma eficiente a questão do desemprego. "O Brasil precisa retomar a tendência de construir políticas sociais mais articuladas, pegar os instrumentos que existem e podem ser repensados. E um ícone disso é o Bolsa Família."
A maioria dos economistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo citou o programa para famílias de baixa renda como exemplo de política social bem-sucedida voltada para a extrema pobreza. Apesar de o programa, por si só, não combater a concentração de renda, uma das ideias é que ele seja revisto e ampliado.

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