quinta-feira, 26 de setembro de 2019

‘Discurso de Bolsonaro na ONU foi um ataque aos mais pobres’



Bolsonaro durante discurso nesta terça-feira (24). (Foto: REUTERS/Carlo Allegri)Mais
Texto / Lucas Veloso | Edição / Pedro Borges
Alma Preta - Yahoo Notícias - Bolsonaro foi responsável pelo discurso inaugural da assembleia, tradicionalmente feito por algum representante do Brasil no encontro. Na história, ele foi o oitavo presidente brasileiro a abrir os debates.
Para Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas Direitos Humanos, o estadista repetiu na Assembleia Geral da ONU os ‘ataques levianos’ que faz contra as ONGs no Brasil. “Bolsonaro solta frases prontas e sem embasamento, como quando acusou a sociedade civil pelas queimadas na Amazônia sem apresentar nenhuma prova”, criticou.Ela destaca que durante sua fala, o presidente não mencionou o índice da letalidade policial nos últimos meses. “Só no Rio de Janeiro foi registrado um aumento de 16% no número de mortes causadas pela polícia entre os meses de janeiro e agosto deste ano, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do estado”, salienta. “Este é o maior patamar desde o início da série histórica, em 1998. O alvo é sempre o mesmo: negros jovens e pobres, que moram nas favelas”, completa Camila.
Em determinado momento do discurso, o presidente afirmou: “medidas foram tomadas e conseguimos reduzir em mais de 20% o números de homicídios nos seis primeiros meses do meu governo”. Logo em seguida, emendou. “Hoje o Brasil está mais seguro e ainda mais hospitaleiro”.
Segundo a plataforma Sinesp, do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, neste ano foram registrados 16.663 homicídios no Brasil. Nesse mesmo período no ano anterior, foram 21.983 vítimas. Uma redução de cerca de 24%.
A presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB São Paulo, Maria Sylvia de Oliveira é outra crítica às palavras do capitão na ONU. Ela acredita que o discurso de Bolsonaro atacou o trabalho realizado por ativistas no Brasil. “Os argumentos usados por ele atacam os ativistas de direitos humanos. Todos foram vitimados, mas principalmente os ligados à defesa de meio ambiente e dos indígenas”, pontuou.
Maria Sylvia definiu o discurso como ‘uma falácia’. “Ele falou da redução da morte de policiais e omitiu que o maior número são de policiais que morrem fazendo bicos, ou seja, fora das atividades como policiais e, outros tantos, vítimas de suicídio”, observou.
Ainda de acordo com Sylvia, para contrapor o discurso do presidente, a sociedade deve continuar denunciando as graves violações de direitos humanos efetivadas pelo governo. “Vamos permanecer levando para o mundo os dados que comprovam o genocídio de nossa população negra, quilombola e indígena”, apontou.
Neste sentido, ela elogia o trabalho da Coalizão Negra Por Direitos, organização que reúne 60 entidades da sociedade civil e representantes da população negra para reivindicar melhores condições à população afro-brasileira.
Mais discurso

Por conta das recentes queimadas na Amazônia, o presidente começou o discurso rebatendo críticas a respeito do desmatamento no país. Frases como "A amazônia não está sendo devastada" e que a região amazônia está "praticamente intocada" foram ditas por ele.

Nominalmente, o presidente criticou o líder indígena Raoni, dizendo que pessoas como ele são usadas como "peças de manobra" em prol dos discursos ambientalistas radicais.

Sobre os governos anteriores, o capitão da reserva apontou que eles foram responsáveis por quase incluir o Brasil no sistema socialista e gerar outros problemas ao país. "Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade, ataques ininterruptos dos valores religiosos que marcam nossa tradição", disparou.

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